quarta-feira, maio 25, 2005

gente que investe e não morre




para o Vitor

a ignorância em torno do País basco, fez com que todos , quantos me rodeiam, tivessem insistido para que desistisse da ideia de ir passar férias para a "terra da ETA".
num mundo em que as ideias são, cada vez mais, alicerçadas pela comunicação social, as notas sobre os sucessivos atentados bombistas criaram uma imagem do país basco, relativamente próxima de Gaza.
a realidade é outra. a realidade é a de um país com carácter. há uma terra com fronteiras delimitadas. há um espaço mental chamado Euskadi. quem lá chega sente que há muito mais do que Espanha nesta península. ainda que não sirva de exemplo, cheguei pela primeira vez a Pamplona em pleno arranque das famosas festas de San Fermín.
Não há nada que se compare com aquela onda branca e vermelha, regada a vinho e alimenta por pinchos e bocadillos.
o melhor retrato que guardo daquela nação é o de uma Praça Consistorial a rebentar pelas costuras. sentei-me num belíssimo sol. passei por músico de uma das peñas(pequenas bandas de bairro que tocam uma música contagiante e com enormes influências célticas).
desde o primeiro minuto que milhares de bascos vestidos com batas e impermeáveis mergulhavam e regavam os restantes com sangria. como Hemingway tão bem sabia, por aqueles lados o vinho corre com rapidez e alegria. entre o quarto e o quinto touro a música, até então imparável, serena e começa a segunda parte da orgia. há comida para toda a gente. abrem-se sacos com refeições comunitárias. um casal de desconhecidos estendeu-me um prato e talheres. tinha sido elevado à condição de visita da casa. comi sopa, bifes, peixe, panados de arroz, bolos, café e chocolates. tudo regado com sangria e muita cerveja.
há como que um estranho complot para que se apanhe uma bebedeira colectiva e universal.
a festa, por aqueles lados, parte das bancadas para a praça. aí vi touros a ajoelhar e cair. vi o sangue que lhes corria no lombo. o mesmo que os bascos tentam substituir por vinho, durante dez dias.
nenhum povo tem mais legitimidade para a festa brava do que os bascos. ninguém sabe o que é investir com toda a força sobre o inimigo, nem que para isso tenha de entregar a vida.

5 Comments:

Blogger GNM said...

Como todo o respeito pelo autor e pela liberdade de opinião, que é muito, este texto meteu-me nojo! Deu-em mesmo vontade de vomitar.

Estava todo satisfeito a ler post após post (todos de enorme qualidade), neste blog que acabei de conhecer, e dou de caras com isto!

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